sábado, 18 de Fevereiro de 2012

SERMÃO: ANDANDO A SEGUNDA MILHA


SERMÃO: ANDANDO A SEGUNDA MILHA

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.  Mateus 5:38-42

Cristo está agora a discursar perante uma multidão. Uma multidão faminta da palavra, que escuta atenta e algo estupefacta para o que Ele diz. Afinal Cristo está naquele preciso momento a transmitir palavras completamente novas para este povo. Completamente revolucionárias em relação ao que este povo estava habituado a ouvir e a viver. Olho por olho, ou seja, aquilo que me fizerem de mal eu retribuo na mesma forma.


Como é possível este homem dizer isto? Isto simplesmente não faz sentido…” – diriam as pessoas…”Então se nos ensinaram olho por olho, dente por dente, sendo esta a forma de sobrevivência que nos foi ordenada e incutida desde sempre? Como é possível este homem dizer que eu não devo ripostar, inclusive receber em dobro do que me estão a dar de mal…? Isto simplesmente não tem sentido!

Estará Cristo a dizer que devemos ser miseráveis e demasiado submissos e destinados à humilhação? A RESPOSTA ÓBVIA É “NÃO”!

Cristo estava a deixar uma nova mensagem. Uma mensagem de uma nova forma de vida. Uma mensagem de amor e compaixão, mas especialmente de serviço. 

Jesus nestas pequenas frases fala de uma certa forma, de violência, mas queria debruçar-me ESPECIALMENTE de uma que fala de esforço e não violência. Quero abordar a frase: “E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.”

Que é que Jesus queria dizer com isto? Porque é que devemos correr mais do que me pedem? Que beneficio tenho eu em correr duas milhas quando me pedem para correr uma?
Quem são os que correm a 2ª milha?

“JESUS ESTÁ A DIZER QUE DEVEMOS SER VOLUNTARIOSOS. QUE DEVEMOS DER TRABALHADORES ESFORÇADOS E SEM DESCULPAS.”

Andando a Segunda Milha

Ninguém gosta de fazer as coisas por obrigação. Dá a impressão de que nos estamos a submeter a um pedido despropositado e a ser inferiorizados. Esperneamos, argumentamos, reclamamos, mas não adianta. Quando somos obrigados isto significa ausência de diálogo. Não há opção. Não há opinião! Não há discussão! Não há escolha. APENAS TEMOS DE FAZER!!

Acredito que, sem ser no momento de combate, em nenhum outro momento o soldado romano era mais odiado do que quando recrutava um civil para carregar suas armas e equipamento. Mas Jesus não limitou a questão ao soldado romano: Ele foi claro para todos: “Se alguém te forçar a caminhar com ele uma milha, vai com ele duas.”

Uma das características do verdadeiro cristianismo é produzir homens e mulheres da segunda milha. E o importante é: como caminhar a segunda milha. Tenho que andar nela com alegria, com entusiasmo, sem ressentimento e sem reclamação.
Isto quer dizer meus irmãos, que olhando para a igreja de hoje, e como diz o Pr Bullon, ser cristão não custa. Manter-se cristão e trabalhar para Cristo é que é complicado. Portanto aqueles que querem ser verdadeiros cristãos são estes, os da 2º milha.

Na primeira milha, encontram-se pessoas que chegam a horas e saem a horas.

Na segunda milha encontram-se pessoas que chegam antes e saem depois.

Na primeira milha, podemos ver pessoas que fazem até 95% do trabalho. O essencial. 

Na segunda milha, encontram-se as pessoas que vão dos 95% aos 100%.

Na primeira milha, encontram-se pessoas que inventam qualquer motivo para se ausentarem do trabalho ou que arranjam desculpas para não fazer nada ou ausentarem-se ao chamado.

Na segunda, encontra-se gente disposta a dar mais energia do que se espera e até a se sacrificar por um trabalho, por uma tarefa

A primeira milha está sempre cheia, congestionada. Apinhada de gente. Os que viajam nela são os que perguntam: “Como é que eu posso fazer o mínimo e, mesmo assim, sobreviver?” Portanto os que andam na primeira milha são os chamados VULGARES.

Na segunda milha estão os que se dedicam, os que estão sempre dispostos a trabalhar para o Senhor. Os que têm prazer em ser úteis para a causa, a Sua causa.

Somos chamados a andar a segunda milha mesmo quando a mesa está abarrotada de trabalho e os outros chegam fora de horas. Quando vem um pedido no fim do dia e estamos  cheios de trabalho acumulado. Quando nos passam uma carga extra de trabalho de outra pessoa que é “folgada” e preguiçosa. Andar a segunda milha é quando fazemos mais do que nos estão a pedir. Até mesmo quando nos pedem para fazermos uma coisa de que não gostamos, ou que seja desinteressante.
Bom, ao que parece, Jesus está a dar uma dica no final deste discurso, sobre as características dos que terão lugar no céu!! Certo?
Ler: Mateus 5:48

Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.

Perfeito? Será que fazer isto é ser perfeito? Mas isto a mim parece-me completamente descabido fora da perfeição. Isto parece-me humilhação, e não perfeição

Meus irmãos… andar na segunda milha é ter prazer em trabalhar para aquele que pode salvar os outros. É dar a conhecer aos outros aquele que nos torna perfeitos e justos. Se eu não tiver prazer em Cristo, não tenho vontade de falar aos outros. 
Sabemos de antemão que os que são perfeitos terão lugar no céu. Os outros não! E por isso, o andar a segunda milha também caracteriza os que vão herdar o céu.

AGORA PERGUNTO:
1.       Sou um cristãos da 2ª milha?  Animado? Trabalho com gosto para a causa do Senhor? Não dou desculpas aos pedidos que me fazem para o trabalho? Sou colaborante nas actividades da igreja?
2.       
          E como igreja? Somos uma comunidade cheia de indivíduos animados e voluntariosos? Somos membros sempre dispostos para as solicitações que nos fazem? Temos ideias em como partilhar a fé? Somos uma igreja de empreendedores sempre com a mente virada para a missão? Apoiamos os outros quando têm ideias e as querem por em prática? Preocupamo-nos com os projectos da igreja? Oramos por eles?
3.        
       Ou ao contrario? Tecemos, mesmo para nós próprios, comentários desmotivadores? “Ui…tanto trabalho para quê? Isto não vai dar em nada!”; “Não vale a pena!”; Não é esta a forma que Cristo nos disse para falarmos às pessoas!”, “Eu não sou lá preciso, não faço lá falta!”; “Há pessoas, bem mais capacitadas do que eu!”; “só se me vierem pedir!”, “Se me pedirem, não aceito porque da ultima vez fiquei chateado com o que aconteceu!”, “os sábados estão cheios de actividades, nem tempo temos para descansar!”, “esta semana foi muito complicada e trabalhosa para mim”; Ou temos o típico discurso do reformado em Cristo? “Eu já fiz muito. Agora os mais novos que trabalhem!”

Se eu agora vos perguntar, quais são as características das pessoas  que vão para o céu, de certo que nas vossas cabeças surge de imediato um turbilhão de respostas e todos vós tem resposta para esta pergunta.

Agora, se eu vos perguntar ao contrário. Quais as características dos que não vão para o céu, provavelmente a resposta não será tão clara.Já precisamos de pensar um pouco mais e de imediato é quase certo que a resposta mais fácil é: TODAS A CONTRARIAS ÀS DOS QUE VÃO PARA O CÉU…!” É fácil…

Quais são as características dos que não vão para o céu?
Não quero alongar nem explorar este culto à volta desta questão no geral, mas queria abordar um ponto em particular:  O TRABALHO PARA O SENHOR, ou por outro lado   A INDISPONIBILIDADE/PREGUIÇA/OCIOSIDADE.

João 15:1-6 (LER)

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem”.
Meus irmãos, aqui Jesus é directo no que diz. “Ele afirma que Deus o Pai, limpa/repara a vara que dá fruto, e a que dá fruto é a que está em Cristo. Mas a que não dá fruto, ou seja a que não está em Cristo Ele a deita fora. Ou seja, quem não dá fruto, está perdido!

Cristo é muito claro. Quem não produzir frutos, quem não tem vontade de trabalhar, que tiver preguiça, não terá lugar no céu. Ponto final! Deus simplesmente o arranca…
Hellen White escreve o seguinte acerca dos ociosos.
  
E o homem, com seu espírito e corpo criados à semelhança de Deus, deve ser ativo a fim de preencher o lugar que lhe foi designado. Não deve estar ocioso. A ociosidade é pecado.”  Vida e ensinos pag76

“Nenhuma de nossas igrejas precisa ser infrutífera e estéril. Mas alguns de nossos irmãos e irmãs estão em perigo de definhar até a morte espiritual muito embora estejam constantemente ouvindo a verdade apresentada por nossos pastores, pois negligenciam repartir o que recebem. Deus requer de cada um de Seus mordomos que use o talento que lhe é confiado. Ele nos concede ricos dons para que os distribuamos fartamente a outros. Ele nos conserva o coração inundado com a luz de Sua presença, a fim de que revelemos a Cristo a nossos semelhantes. Como podem os que cruzam os braços em ociosidade, que se contentam em nada fazer, esperar que Deus continue a suprir suas necessidades? Os membros de nossas igrejas devem trabalhar como quem espera prestar contas.” Review and Herald, 11 de Novembro de 1902. 

MEUS IRMÃOS, QUAL É A IGREJA QUE NOS CARACTERIZA NESTE FINAL DOS TEMPOS?
ESTAMOS BEM CIENTES QUE ESTAMOS A ATRAVESSAR A ÉPOCA DA IGREJA DE LAODICÉIA? QUE SOMOS A IGREJA DE LAODICÉIA?

ESTAMOS PREOCUPADOS POR ESTARMOS EXACTAMENTE A FAZER O PAPEL DESTA IGREJA?
É engraçado que todos nós sabemos que somos a Laodicéia, que a igreja de Laodicéia é a igreja morna, vomitada da boca de Deus, mas não fazemos absolutamente nada para contrariar essa condição. TODOS NÓS ESTAMOS NUMA MORNIDÃO TERRIVEL. ESTAMOS DEMASIADOS ACOMODADOS.

E por estarmos acomodados, estamo-nos a tornar numa igreja no seu global cada vez mais virada para si mesma. Uma igreja (perdoem-me) de mimados, tendencialmente quezilentos, de pessoas a quem não se lhe pode dizer absolutamente nada. Egocêntricos e exagerados nas reacções de uns para com os outros. E sabem porquê? Porque passamos tempo demais uns com os outros aqui. Vivemos o adventismo e a salvação uns com os outros e uns para os outros. Deixamos de ver a salvação dos que não conhecem a verdade como uma prioridade. Vivemos tempo demais aqui fechados. Transformámos esta igreja num local de entretenimento para santos. Não gastamos as nossas energias em absolutamente mais nada. O nosso conforto e prazeres estão acima de qualquer coisa.

Quando alguém quer por em prática qualquer ideia, ninguém diz de imediato “vamos a isso”. Opinamos, desmotivamos, pomos empenos, e na maioria é preciso muito jogo de cintura para nos convencerem a que ajudemos… Desculpas…desculpas…desculpas! Tudo serve para desculpa. Isto é um sinal de que não estamos bem. Isto deveria ser um motivo de verdadeira preocupação individual. Simplesmente não estamos dispostos a colaborar nas coisas de Deus.

Querem exemplos?

As varias campanhas, as exposaudes, as actividades de continuidade. Meus irmãos, como tem sido difícil obter ajuda. Como tem sido triste o facto de se sentir cada vez menos a disponibilidade de todos.
As nomeações e cargos da igreja. Todos os anos é sempre o mesmo filme. A falta de disponibilidade de uns sobrecarrega os outros de trabalho. Tudo serve para desculpa de não termos cargos. Um cargo acumulado por um irmão é um cargo menos conseguido porque não é possível fazer-se tudo bem apenas por uma pessoa.

Por cada irmão que não ajuda, ou recusa um cargo, outro irmão fica sobrecarregado. Não há vontade em ajudar, não há entreajuda. Entramos num ciclo vicioso de inactividade. Quase ninguém se oferece de imediato para ajudar. Estamos sempre à espera que outros avancem.

Meus irmãos, é certo que não são as nossas obras que nos salvam, não é por aquilo que fazemos que nos salvamos. Mas perder-nos-emos certamente por aquilo que deixamos de fazer.

Tornamo-nos uma igreja morna, sem iniciativa globalmente falando, e estaremos muito próximos de sermos vomitados da boca de Cristo. Numa igreja, os que não trabalham, os que nunca estão dispostos para ajudar, desencorajam e sobrecarregam os que vão tendo alguma iniciativa.

Qual é a mensagem que estamos a deixar? Que ser Adventista é vir aqui aos sábados? E chega, que a semana foi complicada? E chega, porque eu tenho uma vida atribulada?

Deus não quer homens preguiçosos como vimos. Os preguiçosos, os que não têm vontade de ajudar na Sua obra serão obviamente excluídos de herdar a terra prometida. (alguém duvida?)
Mas uma igreja activa e cooperante. Uma igreja que se apoia e entreajuda, é uma igreja feliz e forte. Com ideias e iniciativas bastante validas para Cristo. Esta igreja sim, estará a dar a palavra da salvação aos que dela necessitam, e está ela própria no caminho da salvação.

Para aqueles que acham que não têm jeito ou não fazem falta para o trabalho e projectos da igreja, vejamos o que a Srª White nos diz: "Deus pode servir-Se, e servir-Se-á dos que não tiverem instrução esmerada nas escolas dos homens. Duvidar de Seu poder para fazer isso, é manifesta incredulidade; é limitar o poder onipotente dAquele para quem nada é impossível. Quem dera que houvesse menos dessa cautela indesejável, desconfiante! Ela deixa tantas forças da igreja sem serem usadas; fecha o caminho, de modo que o Espírito Santo não Se possa utilizar de homens; mantém em ociosidade os que estão dispostos e ansiosos para trabalhar segundo a maneira de Cristo; desencoraja de entrarem na obra a muitos que se tornariam coobreiros eficientes de Deus, se se lhes desse uma oportunidade razoável."  Obreiros Evangélicos, págs. 488 e 489.  Mente carácter e personalidade Vol. 1
  
Quem não sentiu nunca a vontade imensa de mostrar algo aos outros? Talvez um carro novo? Talvez uma casa nova? Um namorado ou namorada? Penso que todos. E olhando para isto que acabei de dizer, se não temos vontade e regozijo de mostrar Cristo aos outros, então Cristo deixou de ter qualquer significado importante nas nossas vidas. A nossa falta de disponibilidade é exemplo claro disso. E se assim é…então que Deus tenha misericórdia de nós
Final:

Em todos os postos de trabalho, em todas as posições, em todas as circunstâncias da vida, Deus precisa hoje de gente da segunda milha. Se a lei do menor esforço já prevalece há muito tempo na nossa vida, devemos estar atentos porque, mesmo sem se falar de “segunda milha”,o Senhor  valoriza a tenacidade e a dedicação no trabalho e ao trabalho.

Será que eu posso afirmar honestamente que sou uma pessoa da segunda milha?
HAVERIA TANTA COISA A FALAR AINDA ACERCA DESTE ASSUNTO. NÃO HÁ TEMPO. APENAS QUERIA DEIXAR A MENSGEM QUE “SEMPRE QUE NOS RECUSAMOS OU NOS ALHEAMOS DAS NOSSAS TAREFAS PARA JESUS, ESTAMOS A CAVAR MAIS FUNDO O FOÇO QUE NOS SEPARA DA SALVAÇÃO”

Lembremo-nos muito seriamente que não estamos perdido porque não fazemos. Estamos pedidos porque não temos vontade de fazer…!!!

Autor: José Carlos Figueiredo – Dir. Comunicações da igreja Adventista de Viseu

Luís Carlos Fonseca

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